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Hoje vou inspirar-me no antigo filósofo, Sócrates, que, numa visita ao oráculo de Delfos, lhe foi dito  que ele era o homem mais sábio de Atenas. Ele, não acreditando, inicia a sua jornada em descoberta de si mesmo e do mundo. A origem do “só sei que nada sei”. A importância do conceito de sabedoria é tão importante, que acompanha a humanidade desde o início. Podemos colocar a questão: “A velhice, por si só, é a base de uma pessoa sábia?” Provavelmente não. Todo o contexto, todas as vivências e vontades de um individuo devem contribuir para o ganho de sabedoria.  Será a emancipação um dos grandes objetivos de vida do ser humano? Será a sabedoria, esta descoberta de nós mesmos e do mundo, o caminho para essa emancipação? Talvez, se admitirmos que não sabemos de onde vimos, nem para onde vamos e, logo, não sabemos quem somos.   

 

Fim

Esta história começa há 10 anos atrás. Tinha 17 anos. Tola, ingénua. "Os livros deviam circular e não apodrecer em estantes, longe de novos leitores" Continuo tola e ingénua. Fiz de mim alfarrabista, profissão, aparentemente, de nome demasiado estranho. 10 anos. Fiz feiras, abri e fechei uma loja, desenvolvi redes sociais. Esforcei-me. Eu esforcei-me! E, agora, depois de tanto esforço, resta frustração. Portugal não é um pais de leitores. Mas fala-se tanto de livros! Curioso. Valoriza-se pouco o poder da literatura. Fechei a loja, apaguei as redes sociais e, na última feira que fiz, numa praia fluvial recheada de pessoas, fiz 5€ em 7 horas. Peguei numa caixa de livros e deixei-a no jardim. Levem-nos! Levem o raio dos livros e leiam! Façam a literatura circular! Durante 10 anos, enquanto os meus colegas se formavam nas universidades, eu formei-me na miséria. Não me arrependo. Arrependo-me todos os dias. Continuarei, como conseguir. Não sei fazer mais nada. Morrerei alfarrabista. Não vendo alfarrobas.

 

Fim

Na verdade, o que eu devia fazer, era encontrar uma forma de ganhar dinheiro. A minha situação financeira transformou-se numa tragédia. Em vez de encontrar uma solução, abri uma garrafa de vinho branco. Não me dei ao trabalho de usar um copo e ali fiquei, em silêncio, a olhar para a rolha que me pareceu extremamente artística. Até o olhar se desviar para um texto que já devia ter lido, que diz " ...aprender a ser,  estar e a conviver..." Três coisas que, acredito, nunca ter aprendido. Voltei o olhar novamente para a rola, pareceu-me mais atrativa.

 

Fim


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