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02
Nov18

Sobre o feminismo

por Pântano

  Fazer este post é arriscado pois sei que certamente vou ser criticada pelo que vou dizer mas de que vale viver com liberdade de expressão, se não a posso usar?

 Já me assumiram varias vezes como feminista por saber quem sou e o que quero, por lutar pelos meus direitos e não baixar a cabeça que nem um cão na presença de um homem. Por não viver com medo e assumir-me. E tal faz de mim uma feminista. Só que não. Não gosto de títulos. Não quero ser isto ou aquilo. Associar-me a movimentos, ideologias. Quero ser livre de tudo isso! E apesar de reconhecer que o feminismo tem aspetos positivos, eu digo, sem medo: Eu não sou feminista!

Não precisamos de criar movimentos para defender a igualdade de géneros, não precisamos de nos associar a um grupo para ter uma voz. Voz, temos nós todos os dias em qualquer circunstância na vida e cabe-nos a nós usá-la sem que outros nos digam para o fazer. Em vez de perder tempo em dizer "eu sou", seria talvez mais produtivo canalizar essa energia para a ação, não só em manifestações e protestos (não desvalorizando) mas chegaríamos mais longe se, nos pequenos acontecimentos do dia a dia usássemos essa voz. Quantas são as mulheres que se assumem como feministas mas que ao chegar  casa não se impõem, continuando em segundo plano. Quantas vezes as mulheres cedem, conformam-se, resignam-se, deixam-se ofender e rebaixar em casa, no trabalho, no dia a dia. É nos pequenos gestos, nos pequenos detalhes que reside a verdadeira mudança. Aos poucos, a realidade está a mudar mas sei, porque o vejo, que as mulheres ainda têm enraizado na sua mente velhos hábitos, passados de geração em geração que são difíceis de quebrar. Foram muitos anos de submissão que só com persistência serão trocados por hábitos saudáveis.

 Para terminar, quero fazer uma homenagem à minha mãe que, com a 4ª classe e sem nunca se associar a movimentos, se apercebeu que podia ter uma vida melhor e assim, confiante, partiu em busca de algo melhor, sozinha. A vida foi difícil. Sofreu, foi criticada, conheceu homens medíocres mas mesmo assim manteve a cabeça erguida e com uma filha nos braços e novamente sozinha e sem estudos, continuou a demanda. Nunca desistiu. Tirava todas as pedras do seu caminho e mesmo que a vitória não tenha sido doce, inspirou-me a ser forte.

A mudança reside nos pequenos detalhes.

Não tenham medo de usar a vossa voz. (homens ou mulheres)

Não tenham medo de lutar pelos vossos sonhos.

Não pensem que em grupo são mais fortes.

Não tenham medo.

E, eu não tenho vergonha de dizer que sou feminista, simplesmente acho que não há necessidade. E se não concordam com o que eu digo, não faz mal, tudo está bem, desde que a mudança continue. Cada uma com o seu método.

Fim

 

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