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02
Abr18

As expectativas de quem cuida

por Pântano

 Ainda antes de uma pessoa nascer, já foram criadas expectativas à sua volta. A família, ao saber da chegada de um novo membro, não consegue não imaginar como será a novidade. É-lhe traçado um destino, um ideal construído com base nas crenças e vontades dos pais, de forma a tornar a pessoa vindoura como “um dos nossos”. Existem pais, que não conseguem imaginar o filho senão como uma pessoa que irá dar seguimento à profissão da família. Outros olham para os filhos como uma segunda oportunidade de conseguirem aquilo que eles nunca conseguiram ser. Outros construíram um ideal de pessoa e emprego perfeito e é isso que querem que os filhos sejam. Por fim, e talvez sejam os mais escassos, outros dão oportunidade ao seu filho para que se descubra como pessoa e que tenha a liberdade de traçar o seu próprio destino. Se refletirmos, é-nos dada pouca liberdade par nos conhecermos. Ao nascer, ainda hoje em Portugal, a tradição diz que as crianças devem ser batizadas, ou seja, não temos escolha na nossa fé, porque sem termos ainda capacidade para falar e opinar, é-nos incutida uma religião. E à medida que crescemos, a história repete-se em muitos outros aspetos. No geral, os pais só querem que os filhos construam uma boa vida mas para isso, não basta conseguirem um dia uma profissão de prestígio que os governe. O ser humano precisa de muito mais do que isso. A vida não se pode resumir a estudar arduamente para depois trabalhar arduamente para conseguirmos pagar os empréstimos de tudo aquilo que é considerado de valor na sociedade. E as nossas vontades, não devem ser respeitadas? E se a criança enfrenta os pais e diz que não quer se médico mas sim pintor? Devem os pais incentivar ou desencorajar? Para isso, basta pensarmos no que é realmente importante. Dinheiro, realização pessoal, ou melhor ainda, ambos. Quando se tem um filho, é importante perceber que se criou um ser humano com vontade própria, com sonhos e ambições. Que por mais influenciado que seja, dentro dele habitam desejos que por vezes nunca se vêm realizados para não dececionar os cuidadores. E muitos que arriscam e são firmes no que acreditam, são desvalorizados, vistos como a ovelha negra da família porque tiveram a coragem de se assumir. Não admira que muitos cheguem a adultos, perdidos, sem se conheceram como pessoas, sem saberem o que querem, porque toda a vida lhes foi dito o que fazer. A revolta é inevitável e quando mais tarde acontecer pior.

 O que é afinal realmente importante? Continuar a construir uma sociedade insatisfeita, que trabalha por obrigação ou estimular os nossos gostos e construir uma base a partir dai? Não podemos ter todos as profissões consideradas dignas. É preciso gente feliz a trabalhar em todos os sectores. Talvez a sociedade fosse melhor se todos se sentissem mais compreendidos e aceites.    

 Fim

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