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06
Jul20

Ganhei, não ganhando!

por Pântano

Não ganhei nenhum concurso literário. Nenhuma editora se interessou pelas minhas histórias. O esperado, apesar de, no fundo, existir sempre esperança que me motiva a insistir. Procurei alternativas. Porque me prendo a editoras, aos concursos? Não gosto. São histórias simples. Não quero criar um negócio com as minhas personagens. Quero apenas partilhar em formato físico! Sou persistente, encontrei solução: folhetos de cordel. Em inglês, zines. Uma forma extremamente económica e fácil de auto publicação que qualquer pessoa pode fazer.

Alguns folhetos que fiz e um feito por uma pessoa que já convenci:

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Tenho explorado, todos os dias. Apaixonei-me. Já criei 6 folhetos que misturam palavras com ilustrações, pequenas bandas desenhadas de 8 páginas feitas com uma simples folha A4. Vendi algumas por 1€, para conseguir comprar mais material de desenho. Houve quem quisesse levar para casa um folheto meu! Preparo-me para criar um estendal de folhetos no jardim desta cidade. Quero motivar outros a criar folhetos. Distribuir gratuitamente. Todos temos algo a dizer, a partilhar. Todos temos necessidade de criar. Eis os folhetos de cordel!

 

Fim

Hoje vou inspirar-me no antigo filósofo, Sócrates, que, numa visita ao oráculo de Delfos, lhe foi dito  que ele era o homem mais sábio de Atenas. Ele, não acreditando, inicia a sua jornada em descoberta de si mesmo e do mundo. A origem do “só sei que nada sei”. A importância do conceito de sabedoria é tão importante, que acompanha a humanidade desde o início. Podemos colocar a questão: “A velhice, por si só, é a base de uma pessoa sábia?” Provavelmente não. Todo o contexto, todas as vivências e vontades de um individuo devem contribuir para o ganho de sabedoria.  Será a emancipação um dos grandes objetivos de vida do ser humano? Será a sabedoria, esta descoberta de nós mesmos e do mundo, o caminho para essa emancipação? Talvez, se admitirmos que não sabemos de onde vimos, nem para onde vamos e, logo, não sabemos quem somos.   

 

Fim

Esta história começa há 10 anos atrás. Tinha 17 anos. Tola, ingénua. "Os livros deviam circular e não apodrecer em estantes, longe de novos leitores" Continuo tola e ingénua. Fiz de mim alfarrabista, profissão, aparentemente, de nome demasiado estranho. 10 anos. Fiz feiras, abri e fechei uma loja, desenvolvi redes sociais. Esforcei-me. Eu esforcei-me! E, agora, depois de tanto esforço, resta frustração. Portugal não é um pais de leitores. Mas fala-se tanto de livros! Curioso. Valoriza-se pouco o poder da literatura. Fechei a loja, apaguei as redes sociais e, na última feira que fiz, numa praia fluvial recheada de pessoas, fiz 5€ em 7 horas. Peguei numa caixa de livros e deixei-a no jardim. Levem-nos! Levem o raio dos livros e leiam! Façam a literatura circular! Durante 10 anos, enquanto os meus colegas se formavam nas universidades, eu formei-me na miséria. Não me arrependo. Arrependo-me todos os dias. Continuarei, como conseguir. Não sei fazer mais nada. Morrerei alfarrabista. Não vendo alfarrobas.

 

Fim


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